Viver viajando como mochileiro (a) é o sonho de muitas pessoas, já que conhecer países, cidades, culturas diferentes, lugares históricos e pontos turísticos paradisíacos parece ser extremamente atraente, além disso, pode dar aquela sensação de liberdade indescritível. Porém, toda viagem tem seus percalços, como horas na estrada, falta de acomodação e de dinheiro, e momentos de solidão em transportes, como ônibus, e nas acomodações em hostels, hotéis ou barracas. Foi pensando nesses momentos de isolamento que a arquiteta curitibana Carla Tortelli resolveu fazer peças de crochê enquanto viaja.

A ideia surgiu depois que Carla encerrou seu último contrato com um cliente e decidiu que gostaria de viajar antes de voltar ao mercado de trabalho. Com tempo livre, resolveu aprender crochê antes de colocar os pés na estrada, mas a escolha não teve nenhum motivo especial “Podia ser música, pintura, dança, mas alguma coisa me levou para o crochê. Comprei linha e agulha e me encantei. Só depois que comecei que pensei em levar isso pra viagem. A ideia de passar o tempo produzindo algo pareceu bacana e aqui estou… Viajando e crochetando”, conta ela.

Com dicas da irmã, que sempre soube crochetar, e com aulas no Youtube desde março deste ano (2016), Carla foi se aprofundando na arte de costurar. Com muito empenho e dedicação, aprendeu rápido e hoje produz biquínis e croppeds (blusinhas femininas) e amigurumis, que são bichinhos e bonecos de crochê. Esses últimos são os destaques porque provam a sua incrível habilidade como crocheteira, e também porque ela carrega consigo uma mini-Carla, que chama a atenção pela riqueza de detalhes e que retrata como sua companheira nas trips. “Quero fotografá-la nos lugares por onde passar daqui por diante. Acho que vai ser bacana. Ainda tenho muito o que aprender e melhorar, mas como foi a primeira, tenho um carinho especial”, explica a arquiteta.

Porém, algo que começou como hobby para encher a cabeça em momentos livres foi se tornando mais útil nas viagens. Com o crochê, Carla percebeu uma interação maior com as pessoas de qualquer lugar do mundo “Toda vez que estou fazendo crochê (na praia, no ônibus, no hostel etc.) alguém fala comigo pra perguntar o que estou fazendo, ver o trabalho, dizer que faz também”, conta.

“Certa vez estava na praia em Tulum, no México, fazendo uma bonequinha da Frida Kahlo, e passaram três crianças, três irmãos que vendiam amendoim, eles tinham entre 5 e 11 anos mais ou menos. Sem cerimônia, sentaram comigo na canga e ficaram lá olhando eu fazer o crochê e foram fazendo um montão (sic) de perguntas, sobre quem era aquela moça (eles nunca tinham ouvido falar na Frida), se ela já tinha morrido, o que ela fazia, por que eu estava fazendo essa personagem etc. E no final até tentaram aprender um pouquinho do crochê. Eu ganhei o dia. Fiquei faceira em ter escolhido essa arte”, completa.

Além disso, a arquiteta diz que presenteia pessoas como suas peças e que, de vez em quando, vende alguma para pagar uma hospedagem ou algum passeio diferente, e que também já as trocou por algo que precisava.

Com cerca de 20 ou 25 peças produzidas até o momento, a curitibana conseguiu fazer amizades e negócios nas suas recentes trips por México, Guatemala, Belize, EUA e Austrália (onde está atualmente).

A paixão pelo crochê cresceu tanto que ela já pensou em viver disso, mas repensou porque não pretende largar a sua profissão atual. “ Já pensei (em viver de crochê) porque recebi bastante crítica positiva, incentivo e encomendas. Mas amo a arquitetura também. Gostaria de conciliar os dois. Creio que seja possível”, finaliza.

 

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1 comentário

  1. Andreza
    3 de novembro de 2016
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    Tenho muito orgulho de ter sido presenteada com essa japinha. A Carla é uma pessoa incrivelmente especial. Que barato ter uma matéria sobre ela e seu trabalho!!!! Sucesso

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